Wednesday, August 13, 2008

Entrevista de FHC

Fernando Henrique Cardoso foi entrevistado pelo programa Hard Talk da BBC em Outubro de 2007. Não me lembro de nenhuma repercussão dessa entrevista cá pelo Pindorma. Graças ao YouTube temos a parte 1 e a parte 2 .



Monday, August 11, 2008

Liberdade de expressão comercial

Às vezes me espanto com as discussões que aparecem por aí. Quando ouvi a proposta de regulamentação da publicidade de produtos que oferecem riscos à saúde, nem dei bola, achei simplesmente óbvio que fosse assim: um produto que oferece risco à saúde ter sua publicidade restrita a um horário específico e que a peça publicitária traga informações sobre os males aos quais o consumidor estará sujeito.





Fiquei surpreso, embasbacado, quando surgiu este movimento em defesa da "liberdade de expressão comercial". Como é que é? Estão entendendo que omitir os efeitos maléficos que produtos comerciais possam ter sobre seus consumidores é "Liberdade de expressão"?





Outro dia fiquei indignado com um comercial que anunciava "Nutela" como "fonte de energia... ... indispensável na alimentação das crianças". Que "energia" é indispensável para a vida como a conhecemos é inegável. Mas o produto em questão, Nutela, é quase que somente gordura e açúcar. O comercial mostra crianças saudáveis, praticando esportes e em plena atividade. Entretanto, a alimentação com doses cavalares de Nutela sobre uma fatia de pão, como mostrado no comercial, pode levar à obesidade. E estamos vivendo um momento de preocupação em escala mundial com a obesidade infantil. Hoje mesmo vi na TV uma chamada para uma reportagem dizendo que o colesterol agora é um problema de criança. Não seria no mínimo coerente que o comercial de Nutela apontasse para os riscos envolvidos no consumo do produto? Segundo os publicitários isso seria cerceamento da "liberdade de expressão".





Um argumento deles é o de que o consumidor tem discernimento suficiente para avaliar se deve ou não consumir o produto, tem maturidade para identificar os pontos negativos. No caso do Nutela, estamos falando de crianças. Vejam que nem cheguei ao cigarro ou bebidas alcoólicas.





Na minha cabeça, o princípio de liberdade de expressão está ligado à exposição de informação, e, no caso da publicidade, estão lutando justamente para omitir informação do consumidor, o que me parece um pouco contraditório.





Hoje se acena com a bandeira de "liberdade de expressão" para tudo quanto há. Qualquer regulamentação de meios de comunicação é massacrada como "ameaça". É preciso tomar cuidado com isso. Mentir, difamar, divulgar ficção como fato, ocultar fatos, nada disso tem a ver com liberdade de expressão. Muito pelo contrário, essa total "liberdade" é muito parecida com o doublespeak e com a "recriação da história", do Grande Irmão e seus amigos, em 1984.





Tem mais sobre o assunto no Observatório da Imprensa: Leia o artigo e os que estão indicados nos links por lá!












Thursday, June 12, 2008

Novo foco

Da estratégia "é culpa do Lula", a imprensa passou a uma nova: "é culpa da Dilma".


A miss caosaéreo aparece por todo lado acusando a Ministra disso e daquilo, sem apresentar qualquer prova. Incrível como ninguém lembra ou relembra o papel que a moça teve na crise do transporte aéreo. Agora, é uma pessoa absolutamente confiável, ao contrário da MInistra. E a memória do povo, onde está?



Monday, November 12, 2007

Balanceando a unilateralidade

A notícia do incidente entre o Rei de Espanha e o Presidente da Venezuela veio de um lado só: apenas citou-se que Chávez chamou o ex-primeiro-ministro espanhol de "facista" e recebeu o "calaboca" real.
Interessante ver os dois lados da coisa. Segue transcrição do artigo de Mauro Santayana, publicado hoje n'O Globo:

A arrogância colonialista
O presidente Hugo Chávez é descuidado e franco no que fala. Usa, em sua retórica antiimperialista, metáforas quase divertidas, como chamar Bush de diabo. Mas não exagerou ao qualificar o ex-primeiro-ministro espanhol José Maria Aznar de fascista. Aznar, produto típico da Opus Dei, que se reorganiza com novo alento na Espanha, sempre tratou a América Latina com desdém. Em 2002, em Madri, atreveu-se a dar ordens ao presidente Eduardo Duhalde, da Argentina, para que aceitasse e cumprisse as exigências do FMI. Reincidiu na grosseria, ao telefonar a Buenos Aires, logo depois, como um dono de fazenda telefona para seu capataz, a fim de determinar-lhe a assinatura imediata do acordo com o órgão.
Conforme disse o próprio ministro de Relações Exteriores da Espanha, Miguel Angel Moratinos, Aznar deu ordens ao embaixador da Espanha em Caracas para que apoiasse o golpe contra Chávez em 2002. Com o presidente eleito preso pelos golpistas, o embaixador foi o primeiro a cumprimentar o empresário Pedro Carmona, que, também com o entusiasmado aplauso do representante dos Estados Unidos, tomava posse do governo, para ser desalojado do Palácio de Miraflores horas depois.
Não se pode pedir a Chávez que trate bem o ex-primeiro ministro espanhol, embora talvez lhe tivesse sido melhor ignorá-lo no encontro de Santiago. Mas, como comentou, na edição de ontem de El País, o jornalista Peru Egurdide, há um crescente mal-estar na América Latina com a presença econômica espanhola, identificada como "segunda conquista". A Espanha opera hoje serviços como os bancários, de água, energia, telefonia e estradas, que não satisfazem os usuários. Ainda na noite de sexta-feira, em reunião fechada, Lula e Bachelet trataram do assunto com Zapatero, de forma veemente - longe dos jornalistas.
Mas se Chávez, mestiço venezuelano, homem do povo, fugiu à linguagem diplomática, o rei Juan Carlos foi imperial e grosseiro, ao dizer-lhe que se calasse. O rei, criado por Franco, tem deixado a majestade de lado para intervir cada vez mais na política espanhola - conforme o El País critica em seu editorial de ontem. Em razão disso, as reivindicações federalistas dos povos espanhóis (sobretudo dos catalães e dos bascos) se exacerbam e indicam uma tendência para a forma republicana de governo. Pequenos episódios revelam o conflito latente entre os espanhóis e seu rei. Já em 1981, quando do frustrado golpe contra o Parlamento Espanhol, o comportamento de sua majestade deixou dúvidas. Ele levou algumas horas antes de se definir pela legalidade democrática. Para muitos, o golpe chefiado por Millan del Bosch pretendia que todos os poderes fossem conferidos a Juan Carlos, em um franquismo coroado.
Os dirigentes latino-americanos tentarão, diplomaticamente, amenizar a repercussão do estrago, mas o "cala a boca" de Juan Carlos doeu em todos os homens honrados do continente. O rei atuou com intolerável arrogância, como se fossem os tempos de Carlos V ou Filipe II. A linguagem de Zapatero foi de outra natureza: pediu a Chávez que moderasse a linguagem. Como súdito em um regime monárquico, não pôde exigir de Juan Carlos o mesmo comportamento - o que seria lógico no incidente.
Durante os últimos anos de Franco, a oposição republicana espanhola se referia ao príncipe com certo desdém, considerando-o pouco inteligente. Na realidade, ele nada tinha de bobo, mas, sim, de astuto, vencendo outros pretendentes ao trono e assumindo a chefia do Estado. Agora, no entanto, merece que a América Latina lhe devolva, e com razão, a ofensa: é melhor que se cale.

Nem a atidude de Chávez, nem a do Rei Juan Carlos cabem em chefes de estado. Mas é bom que não se crucifique apenas um dos protagonistas.

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Wednesday, October 03, 2007

Limites no jornalismo

Como tenho usado este espaço para criticar a criação de verdades pela imprensa, que pode, entre outras conseqüências, condenar um inocente sem que o mesmo tenha chance de se defender, achei interessante divulgar essa nota do Portal Imprensa, sobre uma recomendação do Sindicato dos Jornalistas de Portugal para que não se furtem a "cumprir escrupulosamente seus deveres/regras éticas", que não se tornem "proponentes de teses sem fundamentação justificada". Diz ainda que "A competição entre órgãos de comunicação e jornalistas pela audiência não deve-se fazer à custa de atropelos éticos".
O caso em questão é o do desaparecimento da menina Madeleine MacCann, no qual a imprensa portuguesa tem feito sérias acusações a todo momento.
Até o momento não sei de nenhuma manifestação de jornalistas ou órgão de comunicação portugueses sobre cerceamento da liberdade de expressão ou de imprensa.
A recomendação, cujo texto completo você encontra aqui é bastante razoável, e vai de encontro a tudo que tenho defendido aqui.

Saturday, September 29, 2007

Realidade Virtual

Num universo virtual criado pela Rede Globo nesta madrugada, o treino classificatório da Fórmula 1 em Fuji começou às 2h11min. As imagens mostradas pela Rede Globo mostravam fatos ocorridos 11 minutos antes, apesar de trazerem os dizeres AO VIVO em um dos cantos da tela. Eufemisticamente chamo de criação de um universo virtual. Na unha mesmo, diria que mentiram!

Friday, September 21, 2007

Escolhendo os adjetivos

No livro "A manipulação do público: política e poder econõmico" (Editora: Futura ISBN: 857413144x), Noam Chomsky mostra como as notícias são compostas, sem mentiras, com fatos apenas, mas enfocando-os de forma a defender interesses.
Incrível como a tese é universal. Apesar dos casos apontados no livro terem sido colhidos na imprensa Norte-Americana, toda a imprensa é um campo fértil para colhermos exemplos.
Vejam como a imprensa trata casos semelhantes: quando o caso envolve membros do governo, é o "mensalão do PT"; quando envolve políticos da oposição é o "mensalão mineiro".
Ainda, no tratamento do caso, praticamente o único nome mencionado é o de Walfrido Mares Guia, que é ministro do governo; o nome de Renato Azeredo, o maior beneficiado pelo esquema, segundo o relatório da PF, mal é mencionado; o de Aécio Neves, nem aparece...
Como mineiro preferia que qualificassem o caso de outra forma.

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